COTAÇÕES AGRÍCOLAS

terça-feira, 3 de julho de 2012

Brasil já importa soja dos vizinhos



Em meio à escassez de soja e aos preços recordes no mercado doméstico, tradings e processadoras começaram a buscar nos países vizinhos uma alternativa para assegurar o abastecimento no segundo semestre. Segundo agentes do mercado, Bunge, ADM, Dreyfus e Cargill compraram cerca de 100 mil toneladas de soja de Argentina, Uruguai e Paraguai apenas nos últimos dez dias, mais do que o dobro do esperado pelo governo para 2012.
O volume é pouco expressivo se comparado às mais de 31 milhões de toneladas que o país deve exportar na safra atual, mas o movimento – atípico para esta época do ano – sinaliza o extremo aperto na oferta nos próximos meses. A situação é explicada por uma queda de mais de 10 milhões de toneladas na produção da região Sul combinada com a forte demanda externa – apesar da safra 12% menor, as exportações de soja cresceram 36% nos primeiros cinco meses do ano.
O resultado foi a escalada dos preços e dos prêmios pagos pelos importadores, em um cenário de elevação do dólar, o que impulsionou as vendas e “enxugou” o mercado. Segundo a Céleres, mais de 92% da última safra já foi vendida, ante apenas 71% em igual período do ano passado. “Foi chocante o ritmo em que os produtores quiseram vender a soja para aproveitar a alta do dólar e o aumento dos preços”, afirma Paulo Sousa, diretor do Complexo Grãos da Cargill.
Em Mato Grosso, apenas 1,7% da safra 2011/12 ainda está disponível para venda, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). “O que as tradings encontram, compram para fazer estoque”, afirma Cléber Noronha, analista da instituição. Sousa afirma que, diante da perspectiva de escassez, as grandes tradings se viram obrigadas a fazer estoque. Caso contrário, pagariam prêmios ainda mais altos aos produtores no segundo semestre.
“Normalmente, as cooperativas e produtores é que seguram os grãos para vender a preços mais altos depois de julho, na entressafra. Este ano foi diferente. Nós é que tivemos de lidar com isso”, revela. Segundo ele, as pequenas esmagadoras, sobretudo do Sul do país, podem ter problemas de abastecimento já que não têm o mesmo fôlego financeiro dos grandes para carregar estoques. “Algumas esmagadoras no Sul já cogitam parar e conceder férias coletivas, principalmente após agosto e setembro”, diz Stefan Tomkiw, vice-presidente da mesa de derivativos para América Latina do Jefferies Bache, em Nova York. “Pode ocorrer uma parada antecipada em algumas regiões, mas nada relevante”, minimiza Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove, entidade que representa as processadoras de soja.
Ontem, o preço em reais da soja disponível no Porto de Paranaguá bateu novo recorde, a R$ 72,91, segundo o indicador Cepea/Esalq, um salto de 47,3% em 2012 e de 55% em relação ao mesmo período do ano passado. Convertida em dólar, a cotação chegou ontem a US$ 35, praticamente igualando o recorde de 4 de julho de 2008 (US$ 35,46), um aumento de 32% em 2012 e de 17% em 12 meses.
Isso significa que o mercado internacional paga pela soja brasileiro um prêmio superior a US$ 3 por saca em relação aos futuros da bolsa de Chicago para entrega em julho – esses contratos fecharam a quarta-feira cotados a US$ 14,71 por bushel (ou US$ 32,36 por saca). Para Trigueirinho, o prêmio acirra a concorrência entre exportadores e esmagadores voltados apenas para o mercado doméstico, com prejuízo para o segundo grupo.
Antônio Sartori, diretor da corretora Brasoja, conta que os exportadores abocanharam quase metade das 6,5 milhões de toneladas de soja colhidas no Rio Grande do Sul. “Com menos soja disponível, a capacidade ociosa das indústrias é grande”, diz. No início de 2012, os gaúchos trouxeram soja de Mato Grosso, Goiás e Paraná. Agora, a opção é mesmo buscar o produto nos países vizinhos. Para Sartori, os produtores de carnes têm sofrido com a situação. “O preço das carnes está estabilizado e o farelo subiu muito. Para se ter ideia, os criadores gaúchos estão vendendo o quilo do suíno vivo a R$ 1,90 e o custo de produção chega a R$ 2,60″, explica.
Por: Fernanda Pressinott, Gerson Freitas Jr. e Mariana Caetano – Valor Online

Preço do frete em MT terá alta de 40%



03/07 
Viviane Petroli 
Valor cobrado por tonelada transportada já saltou de R$ 80 para R$ 95, segundo sindicato

O valor do frete em Mato Grosso deve subir 40% em 30 dias. A previsão é da Associação dos Transportadores de Carga do Mato Grosso (ATC), que revela ainda que nos últimos dias o preço do transporte teve alta de 15%, saltando de R$ 80 para R$ 95 por tonelada no trecho base de Sorriso a Alto Araguaia. A expectativa é que na próxima semana chegue aos patamares de R$ 110/t no trecho base. Segundo o setor, a alta deve-se as mudanças na legislação dos motoristas e colheita do milho e algodão. Apesar dos incrementos transportadores salientam que mudança nas legislações trarão prejuízos até adequação com aumento do efetivo de motoristas e redução de 30% na produção com alteração do tempo de rodagem.
De acordo com o diretor da ATC, Dirceu Capeleto, somente a regularização da profissão de motorista, por meio da Lei 12.619, deve elevar em 30% o preço do frete. “Dentro de 30 dias deve aumentar em 40% devido a lei e a colheita”, comenta. 
Apesar dos bons louros proporcionados pela lei, Capeleto frisa que em um primeiro momento o setor de transporte de cargas terá prejuízos até adequar-se às novas exigências. “Na verdade já estamos no vermelho, pois os gastos com motorista aumentaram 7% sobre o faturamento, pois o setor teve de contratar mais para atender a demanda. Além disso, deveremos ter uma queda de 30% na produção dos veículos, porque com as exigências rodará menos. Contudo, as coisas devem melhorar em médio e longo prazo, a partir do momento em que nos adequarmos à nova legislação. Para que consigamos uma boa rentabilidade novamente é preciso essa adequação”, diz o diretor da ATC.

Famato consegue derrubar exigência do ADA



03/07 
Os produtores rurais de Mato Grosso não precisam mais apresentar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) na Receita Federal para conseguir isenção da cobrança do Imposto Territorial Rural (ITR) sobre as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL). A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) conseguiu na justiça, por meio de um mandado de segurança coletivo, derrubar a exigência do ADA.
"É uma conquista importante para os produtores rurais. Estamos desde 2006 brigando na justiça por esse direito. O proprietário rural não é obrigado a apresentar o ADA para ficar isento da cobrança de ITR sobre as áreas de Reserva Legal e APP das propriedades rurais", comemora o presidente da Famato, Rui Prado.
O ADA é um documento fornecido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Secretaria da Receita Federal baixou uma Instrução Normativa baseada na medida provisória 2.166 determinado que a exclusão da cobrança do ITR nas áreas de APP e RL só seria aceita mediante apresentação do ADA pelo produtor rural. No entanto, muitos produtores não conseguiam acesso ao documento e acabavam sendo multados.

"Há casos de produtores com multas exorbitantes. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não era necessária a apresentação deste documento (ADA) que, além de burocrático, é oneroso para o produtor", esclarece o assessor jurídico da Famato, Luiz Alfeu.

Alfeu orienta aos produtores rurais que, a partir de agora, procurem a Receita Federal. Segundo ele, todas as cobranças e pendências referente ao ADA serão canceladas.
A Famato é a entidade que representa os 86 sindicatos rurais de Mato Grosso. Junto com o Imea e o Senar-MT, forma o Sistema Famato.

Conab: Ajuda Humanitária segue para África



03/07 
Ao todo, serão doadas 7.800 toneladas de arroz para Níger e 3.700 toneladas para Chade

Mais de 10 mil toneladas de arroz industrializado serão doadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para os países africanos de Níger e Chade. A ação faz parte do acordo de Ajuda Humanitária que prevê a doação de alimentos dos estoques públicos brasileiros para outros países. O Navio Impala, contratado pelo Programa Mundial de Alimentos, partiu com as doações na última sexta-feira (29) do Porto de Rio Grande/ RS e deve chegar no continente africano até o final deste mês.
Ao todo, serão doadas 7.800 toneladas de arroz para Níger e 3.700 toneladas para Chade. Os produtos – excedente de produção de safras mais antigas - estavam estocados em armazéns da Conab no Rio Grande do Sul e complementarão a alimentação de milhares de famílias em condições de insegurança alimentar e nutricional nos dois países.
Nos próximos meses serão embarcadas mais cerca de 90 mil toneladas de arroz para diversos países, especialmente africanos.

Preço do milho resiste à superssafra



03/07 
Perto da entrada de metade da produção mundial, preços do cereal conseguem ficar acima dos de 2010, em Chicago e no Paraná.

Cassiano Ribeiro

Daqui a um mês os Estados Unidos devem colher a maior safra de milho da história do país: ao menos 350 milhões de toneladas, conforme projeções oficiais do USDA – Departamento de Agricultura norte-americano. O Brasil também contribui com o aumento da oferta mundial, retirando, quase ao mesmo tempo, perto de 68 milhões de toneladas do produto, aponta levantamento do núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo. Apesar da con­­juntura mais ‘confortável’, os preços internacionais e domésticos do cereal conseguem se sustentar em patamares acima dos de 2009/10, quando o mundo também aguar­­dava safra cheia nesta época do ano.
O momento atual mostra quão sensível está o mercado de commodities agrícolas, explicam analistas. A variação dos preços, cada vez mais intensa no meio do ano, tem acompanhado qualquer previsão de alteração no quadro de abastecimento global. As previsões atuais apontam que serão colhidas cerca 950 milhões de toneladas do ce­­real até o final do ano, frente a um consumo total estimado em 920 milhões de toneladas. Com isso, os estoques ao final da temporada seriam suficientes para suprir a demanda mundial em aproximadamente 2 meses.

A valorização do grão observada especialmente nas últimas três semanas é impulsionada pelo clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos. A seca que assolou a América do Sul no último verão e causou uma das maiores quebras de safra do continente parece ter migrado para o Hemisfério Norte. A cada semana que pas­­sa, as lavouras norte-americanas são mais prejudicadas pela escassez de chuva e altas temperaturas, que se acentuaram justamente no período em que as plantas mais necessitam de água. “Em algumas regiões, as temperaturas estão entre 6º e 8º acima da média e as chuvas abaixo do normal em estados importantes, como Illinois e Indiana”, revela Luiz Renato Lazinski, do Instituto Nacional de Me­­teo­­rologia (Inmet).
As condições impostas pelo clima seguraram os preços do milho acima dos US$ 6 por bushel (medida equivalente a 25,4 quilos) na Bolsa de Chicago e de R$ 23 por saca de 60 quilos no Paraná. No mercado internacional, o preço corrente é quase o dobro do verificado há três temporadas, quando os Estados Unidos se preparavam para colher mais de 330 milhões de toneladas do cereal, o maior volume até então. Em Cascavel (PR), a saca do produto valia pouco mais de R$ 16 e, em Mato Grosso, os negócios eram fechados a cerca de R$ 6 por saca, por conta da pressão de oferta ex­­cessiva nos principais paí­­ses produtores.

Tendência

No que depender do clima no Meio-Oeste norte-americano, os preços do cereal devem continuar sustentados tanto no exterior como no Brasil. Segundo Lazinski, as chuvas devem voltar a cair em pontos do Corn Belt nos próximos dias, mas em volumes ainda insuficientes para reverter o déficit hídrico acumulado desde o início do ano. Em algumas regiões, as chuvas estão 100 milímetros abaixo do normal, aponta o meteorologista do Inmet. “Mesmo que chova, os rendimentos recordes esperados no início da temporada, de 166 bushels por acre (mais de 170 sacas por hectare), não serão atingidos”, aposta Glauco Monte, analista de mercado da FC Sto­­ne. Considerando o cli­­ma atual, o especialista cal­­cula que a produtividade norte-americana alcance 164 sacas por hectare.
“A produção dos Estados Unidos pode cair cerca de 15 milhões de toneladas – para entre 350 mi­­lhões e 360 milhões. Esse volume já é esperado pelos investidores, que aguardam a confirmação no próximo relatório de oferta e demanda mundial do Usda”, complementa Aedson Pereira, analista da Informa Economics FNP. Ele lembra, inclusive, que no relatório divulgado na última sexta-feira, o órgão aumen­­tou a área plantada com milho nos Estados Unidos, de 38,8 milhões de hectares para 39,01 milhões. Porém, revisou para baixo o número referente ao terreno a ser colhido, de 36,06 milhões de hectares para 35,9 milhões de hec­­tares. “Ou seja, eles [norte-americanos] já consideram que parte da área cultivada será perdida”, analisa.

As eclusas na ampliação do modal hidroviário



O Brasil se encontra em posição privilegiada para atender à crescente demanda mundial por alimentos, notadamente da Ásia: tem terras aráveis, recursos hídricos, tecnologia e empreendedorismo. Porém o alto custo do frete e a ineficiência do sistema de transporte têm sido um importante óbice ao aproveitamento dessa oportunidade de mercado. Para ganhar em competitividade, o escoamento de grandes volumes de produção de grãos do Centro-Oeste do País até os portos de exportação precisaria utilizar a hidrovia de forma intensiva.

No Brasil, as hidrovias transportam apenas 4% das cargas nacionais. No caso da cadeia produtiva da soja, a principal cultura agrícola do País, cerca de 70% do transporte é feito por rodovias, o que reduz a renda do produtor rural, porque o frete rodoviário é o mais oneroso em relação aos modais ferroviário e hidroviário. Nos EUA ocorre quase o inverso, já que 61% da soja exportada utiliza as hidrovias, vantagem que confere competitividade internacional à produção daquele país. Na Europa, as hidrovias são utilizadas intensivamente na distribuição de produtos.

O Brasil tem 63 mil km de rios. Desses, 43 mil km são navegáveis, mas 27,5 mil ainda não têm sido efetivamente utilizados. A hidrovia é o caminho mais barato para o escoamento da produção agrícola do País. Por isso a cadeia produtiva da soja defende que a construção de novas hidrelétricas venha sempre acompanhada de eclusas, comportas que funcionam como elevadores de água e que fazem as barcaças e os navios subirem e descerem para transpor as barragens erguidas pelo homem nos rios, permitindo a navegação fluvial.

A construção da eclusa de Tucuruí é considerada um exemplo de como a falta de um marco regulatório específico, que obrigue a construção concomitante de eclusas para conciliar o uso múltiplo das águas, prejudica o desenvolvimento social e econômico de uma região. Foram necessários 15 anos para pôr a eclusa em funcionamento, período em que a produção da região dependeu apenas do transporte rodoviário, mais caro e sujeito às condições precárias de manutenção das rodovias brasileiras.

Não podemos desperdiçar o grande potencial de escoamento de granéis e outros produtos por rios como o Tocantins, o Araguaia, o Teles Pires e o Tapajós. Causam preocupação os projetos de usinas hidrelétricas no Rio Tocantins e no Teles Pires, que, se construídas sem eclusas, inviabilizarão o escoamento da produção de uma extensa área agrícola sob influência da hidrovia. Essa região, assim como outras, ficará dependente do dispendioso transporte rodoviário.

Existem projetos no Ministério de Minas e Energia para implantar, até 2018, três hidrelétricas no Rio Tapajós - uma em São Luiz do Tapajós; uma em Jatobá; e outra em Chacorão -, porém sem prever a construção de eclusas. Informações do Movimento Pró-Logística (integrado por entidades mato-grossenses, entre elas a Famato, a Aprosoja, a Acrimat e a Ampa) indicam que será possível gerar energia e permitir a navegação na Hidrovia Teles Pires-Tapajós a um custo de R$ 2 bilhões, economizando para os produtores outros R$ 2 bilhões por ano em fretes.

Atualmente, 27 eclusas são consideradas prioritárias em projetos de barragens e em barragens já construídas que exigem recursos de aproximadamente R$ 11,6 bilhões. A construção de eclusas depois de feita a barragem é muito mais cara e complexa. O valor de uma eclusa construída junto com a obra de uma hidrelétrica representa 7% do valor total da usina. Uma eclusa feita isoladamente passa a custar 30% do valor da hidrelétrica. Portanto, o ideal é que eclusas sejam incluídas no planejamento de hidrelétricas e construídas ao mesmo tempo.

Felizmente, o assunto tem sido objeto de recentes debates entre as partes interessadas no Congresso Nacional. No dia 21 de maio foi apresentado, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, um novo substitutivo ao Projeto de Lei n.º 3.009/97, que estabelece a obrigatoriedade da inclusão de eclusas e de equipamentos e procedimentos de proteção à fauna aquática dos cursos d'água na construção de barragens.

O relator do projeto, deputado Homero Pereira (PSD-MT), apresentou parecer na forma de substitutivo em que promove, entre outras, as seguintes alterações: explicita que a norma estabelece a obrigatoriedade de implantação integral ou parcial de eclusas ou outros dispositivos de transposição de desnível de forma concomitante ou posterior à implantação de barragens em cursos d'água; permite que a empresa responsável pela construção e operação da barragem seja ressarcida pela União pelos custos relativos ao projeto executivo e à construção da eclusa; veda a transferência desses custos à tarifa de energia elétrica, no caso de barramento para aproveitamento hidrelétrico; e exige que, no caso de licitação para aproveitamento hidrelétrico do curso d'água, o edital explicite que o projeto e a implantação da barragem deverão ser compatíveis com a construção de eclusas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) destacam a necessidade de um planejamento integrado entre os vários órgãos governamentais, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Ministério dos Transportes, a Agências Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com isso, ao ser aprovada a legislação que estabelece a obrigatoriedade da inclusão de eclusas na construção de barragens, todos os atores estarão preparados para implementar o que deverá ser um dos principais saltos em matéria de logística no Brasil.

Com a viabilização das hidrovias, ganham o setor produtivo e, especialmente, a sociedade, com a geração de empregos, renda, desobstrução das rodovias e redução das emissões associadas ao transporte por caminhões.
Fonte: Aprosoja

Soja: Preços confirmam tendência histórica





É importante que os preços confirmem as tendências históricas  com relação ao desempenho dos preços para o mês de junho.

No último dia 29, os preços para soja na Bolsa de Chicago registraram o preço de US$ 15,14 por bushel para os futuros do mês de julho, sendo o maior preço desde 1º de julho de 2008 e o segundo maior preço da história da soja desde a criação da Bolsa de Chicago, em 1848.

Somados os preços da bolsa com os prêmios para a respectiva posição dos futuros para julho de 2012, os registros indicam o "maior preço da história" para a negociação de soja física de origem brasileira.

Com o intuito de reforçar as análises do desempenho dos preços para a soja, que servirão de arquivo histórico para nossos produtores, menciono o último parágrafo do meu livro "Como Lucrar Negociando Soja", assim escrito no dia 4 de março de 2011: "Com estoques apertados de grãos e oleaginosas, o cenário mundial sugere que, no próximo ano de 2012, os preços para as commodities agrícolas, principalmente soja, poderão registrar valores estupendos, provavelmente recordes de todos os tempos``.

Na minhas participações no Canal Rural e Notícias Agrícolas durante todo esse tempo, sempre confirmei que o mercado apontava para essa tendência.  Na mesma época, produzi um gráfico de estudos que apontava um provável preço para soja na Bolsa de Chicago de US$ 15,52 por bushel, amplamente divulgado nas minhas palestras.

Com a marca atingida na data de 2 de julho de 2012, no preço de US$ 15,42 por bushel, considero atingido meu objetivo de estudos que data de um ano atrás.

Este registro histórico pontual, não elimina a condição analítica de que os preços continuarão a escalada de alta na Bolsa de Chicago e de que sugere desempenho ao alcance de US$ 16,70 por bushel, como o maior preço da história da soja.

A grave crise de suprimento que se estabeleceu a partir das perdas das lavouras sul-americanas, que resultou numa escalada de preços para racionar o consumo nos mercados consumidores, está agravada pelas prováveis perdas das safras de verão americana, que implica também demandar a necessidade de racionar o consumo  nos países maiores produtores, neste caso Brasil, Argentina e principalmente nos Estados Unidos.

Importante notar que os Estados Unidos já venderam/comprometeram cerca de 13.600 milhões de toneladas da safra de soja a ser colhida a partir de setembro próximo, quando no mesmo per[iodo do ano passado estavam em cerca de 7.500 milhões de toneladas, enquanto, há 2 anos, era
somente cerca de 4.900 milhões de toneladas.

Avalia-se que esta será a segunda maior crise de suprimento de soja depois da grande crise de abastecimento do inicio dos anos 70.

Atenciosamente,

Liones Severo
Fonte: Liones Severo